
Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte.
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte.
Este lugar é uma maravilha.
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte.
A ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento.
A ponte é até onde vai o meu pensamento.
A ponte não é para ir nem pra voltar, a ponte é somente pra atravessar.
Caminhar sobre as águas desse momento.
A ponte nem tem que sair do lugar.
Aponte pra onde quiser.
A ponte é o abraço do braço do mar,
Com a mão da maré.
A ponte não é para ir nem pra voltar.
A ponte é somente pra atravessar.
Caminhar sobre as águas desse momento.
Nagô, nagô, na Golden Gate.
Entreguei-te, meu peito jorrando meu leite, mas no retrato-postal fiz um bilhete.
No primeiro avião mandei-te, coração dilacerado.
De lá pra cá sem pernoite.
De passaporte rasgado, sem ter nada que me ajeite.
Coqueiros varam varandas no Empire State.
Aceite minha canção hemisférica.
A minha voz na voz da América.
Cantei-te.
A Ponte
(Lenine)


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