terça-feira, fevereiro 03, 2009

"Fomos criados capazes de perguntar sobre nós mesmos, mas incapazes de tolerar as respostas."

"O paradoxo, seu paradoxo é que você se dedica à busca da verdade, mas não consegue suportar a visão de sua descoberta.
- Não ensino, Josef, que se deva "suportar" a morte ou "aceitá-la". Isso seria trair a vida. Eis minha lição para você: Morra no momento certo!
- Morrer no momento certo! Morrer no momento certo? O que você tem em mente, por favor Friederic, já disse mil vezes que não aguento mais ouvir você dizer coisas importantes de forma tão enigmática. Afinal, por que você faz isso?
- Viva enquanto viver! A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida! Caso não se viva no momento certo, então nunca se conseguirá morrer no momento certo.
- Terei consumido minha vida? Alcancei muitas coisas, mais do que qualquer um esperaria de mim: secesso material, avanço científico, família, filhos... mas já passamos por tudo isso antes.
- Apesar disso Josef, você evita minha pergunta. Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu você? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando pergunto se você consumiu sua vida. Você a esgotou? Lembra-se do sonho que seu pai presenciava impotente, lamentando a vida que nunca viveu?
- Essas perguntas... você sabe a resposta. Não, não escolhi! Não, não vivi a vida que queria! Vivi a vida atribuída a mim. Eu, o verdadeiro eu, fui encaixado em minha vida.
- E isto, Josef, é, estou convencido, a principal fonte de sua angústia. Aquela pressão precordial... é porque seu tórax está explodindo de vida não vivida. A avidez do tempo é eterna. O tempo devora, sem dar nada de volta. Que terrível ouvi-lo dizer que viveu a vida que lhe foi atribuída! E que terível encarar a morte sem jamais ter reinvindicado a liberdade, mesmo em todo o seu perigo!"

(Trecho retirado do Livro: Quando Nietzsche chorou, Irvin D. Yalom.)

Tanto quanto César Augusto.
Os momentos são, serão. Vão e virão.

César Augusto.